História da Rádio Espírito Santo

   

A Rádio Espírito Santo AM é a mais tradicional emissora do Estado e uma das mais antigas do país, comemorando seus 80 anos de existência em 2020. Inaugurada oficialmente em 1940, a Rádio Espírito Santo opera na frequência 1.160 AM e tem uma programação mesclada com música, entretenimento, esportes e notícias dirigidas a público popular. 

A criação e a inauguração

Inaugurada oficialmente pelo Governo do Estado em 14 de janeiro de 1940, a Rádio Espírito Santo foi a primeira emissora de radiodifusão capixaba. Porém, antes disso, em 3 de setembro de 1933, um grupo de amigos, entusiastas do novo veículo de comunicação recém chegado ao país, fundou a Sociedade Civil Recreativa Rádio Club do Espírito Santo, agremiação que funcionou em caráter experimental até o ano de 1939, momento em que o Governo do Estado entrou de forma definitiva no empreendimento. A partir daí, a emissora passou a denominar-se Rádio Espírito Santo, com o prefixo PRI-9 e o slogan “A Voz de Canaã”.

O seu pioneirismo abriu as portas para a propagação da cultura capixaba e revelou diversos profissionais que até hoje são reconhecidos pela sociedade local. Além disso, a sua importância também está no fato de, por integrar o Governo do Estado, carrega em sua trajetória uma parte importante da história do Espírito Santo. Sendo assim, desde sua criação até os dias de hoje, a Rádio Espírito Santo se revelou fonte de memória para o Estado e catalisador de talentos.

Astros e Estrelas

Pela Rádio Espírito Santo passaram os grandes nomes do rádio capixaba, entre eles Darly Santos, Licério Duarte Júnior, Jair Andrade Gonzaga, Therezinha Gobbi, Élson Leão, Bertino Borges, Cody Santanna Có, Paulo Bonino, Arlete Cypreste, Jolino Gagno, Boris Castro, Norberto Júnior, Jairo Maia, Hélio Carneiro, Alberto Ferreira, Eduardo Ribeiro, Nelson Zanotti, Wilson Machado, Renato Pacheco e nomes que figuram na vida política estadual, como o senador Gerson Camata e o deputado Élcio Álvares, ambos ex-governadores do Estado. O ex-Prefeito de Vitória, Solon Borges e deputados estaduais como Hugo Borges, Darcy Castello Mendonça e Nilton Gomes também integraram a equipe da Rádio.

Na cena musical, destacam-se artistas como Bento Machado Guimarães, o primeiro cantor da Rádio Club do Espírito Santo, Maurício de Oliveira, Antonio João, Rose Valentim, Ilma Alves, Olímpia Felício de Souza (Maria Cibeli, conhecida como a nossa Rainha do Rádio), Yeda Oliveira (Estrelinha do Samba), Valquíria Brasil, Neli Rodrigues, Alba Souza, Joel Guilherme, Sílvio Roberto, Didi Chagas, Hélio Mendes, Luiz Noronha, Mundico e Carlos Poyares. Eram estrelas, com fãs-clubes e tudo. Também havia os grupos musicais, como Bando Tropical, Cancioneiros da Lua, e Conjunto Hélio Mendes.

Além destes também podemos citar: a dupla Bico e Biquinho, Altemar Dutra, Armando Mauro, Gibson Calmon, Marly Viana, Jair Amorim, Aloísio Rocha, Alba Souza, Alberto Gino, Orquestra de Clóvis Cruz, os trios Capixaba e Caiçaras, Esmeralda Gonçalves, Ilma Alves, Didi Chagas, Dorcas Nunes, Linda Naglis, Gualtier Gonçalves, o pianista Hélio Mendes, Barros Filho, José Avelino, Harley Quintaes, Waldecir Lima, Sílvio Roberto, Vera Lúcia do Amaral, Terezinha Baracho, Rose Valentim, Antonio João, José Barbosa; além do primeiro Regional da emissora formado por Maurício e José de Oliveira, Luiz Noronha, Cícero Dantas dos Santos, Nelson do Pandeiro, Claudionor, Jefa e Odil do Clarinete.   

Entre os artistas nacionais que estiveram no palco da Rádio Espírito Santo figuram: Cauby Peixoto, Silvio Caldas, Ângela Maria, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Zé Trindade, Roberto Carlos, Vicente Celestino, Altemar Dutra, Ronaldo Lupo, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Jararaca e Ratinho, Murilo Caldas e Lolita França, a trupe do PRK-30, Rodolfo Mayer, Marlene, Francisco Alves, Elizeth Cardoso e Elza Soares. Astros internacionais também participavam da programação, como Lucho Gattica, José Mojica, Gregório Barrios e o cantor argentino Edgar Lafoucarde.

Além da música e dos shows, o palco também era dividido com as radionovelas. Sobre esse estilo destaca-se a contribuição de Arlete Cypreste de Cypreste, importante escritora capixaba, autora de programas e diversas radionovelas como “A Vida de Santa Rita de Cássia”, “O Último Beijo” e, a primeira radionovela transmitida pela PRI-9, “A Vida de Anita Garibaldi”.

Jornalismo

O jornalismo foi um marco para a emissora. Na década de 1950, com uma equipe formada por mais de 20 repórteres e editores, a Rádio Espírito Santo era referência. O aparelhamento patrocinado pelo governo, com carro de reportagem e transmissor portátil – uma grande mochila com cerca de 20 kg, carregada pelo repórter – e a proximidade com os órgãos oficiais, permitia a transmissão em primeira mão de fatos importantes para os cidadãos. Dessa equipe surgiram nomes como Gérson Camata, do jornalismo policial, e Élcio Álvares.

Entre os programas jornalísticos mais lembrados estão os jornais Radiorepórter Capixaba, no estilo do tradicional Repórter Esso, e o Na Polícia e Nas Ruas, que futuramente veio a se chamar Ronda Policial, programa de maior audiência por vários anos no rádio capixaba. 

Havia ainda os noticiários institucionais que foram implantados pelo governo, dando informações oficiais e transmitindo solenidades sob o pretexto de serem programas de cunho puramente jornalístico. Nomes marcantes do radiojornalismo de então: Marien Calixte, José Luiz Holzmeister, Djalma Juarez Magalhães, Osdiva Bruzzi e Adam Emil Czartoryski.

Esses foram também os anos de ouro do futebol capixaba. Com transmissões ao vivo de jogos do campeonato local e do brasileiro de seleções.  Os times do Estado passavam por momentos muito melhores e jogos contra o Santos de Pelé, ou o Cruzeiro de Clodoaldo eram garantia de audiência. 

Os informativos Binóculos – homônimo de uma coluna do jornal A Gazeta, escrita por Darly Santos – e Focalizando os Desportos, com Darly Santos e Duarte Júnior, elevaram os níveis de interesse pelo desporto capixaba. Santos ficou conhecido pelo apelido de Mickey, pseudônimo usado inicialmente para burlar a proibição de sair do quartel em tempos de serviço militar para jogar futebol.

A Rádio também investiu em nomes novos. Marien Calixte começara no jornal A Tribuna, como repórter, e logo passou a ter sua coluna de cultura. Na Rádio Espírito Santo apresentou, dentre outros, o seu programa dedicado ao jazz, sendo o mais antigo do gênero no rádio brasileiro. 

Nos dias de hoje

A Rádio Espírito Santo mantém seu protagonismo, em questões de audiência, e também no radiojornalismo - desde 2004, a emissora vem faturando as principais colocações nos prêmios de jornalismo como, por exemplo, o Prêmio Capixaba de Jornalismo, Prêmio Findes de Jornalismo e o Prêmio Capixaba de Jornalismo Cooperativista OCB/SESCOOP.

Já em 2019, a Rádio Espírito Santo fez uma grande mudança em sua programação, despedindo-se do Ronda Policial e colocando no ar, de segunda a sexta, o informativo jornalístico Jornal do Meio-Dia. Comandado pelos jornalistas Regina Trindade e Victor Martinuzzo, o informativo traz reportagens José Carlos Bacchetti, Manuel Peçanha e todo o time de jornalistas da Rádio. Outra novidade, foi a criação do programa matinal A Espírito Santo Informa, no ar de segunda a sexta, às 7h, apresentado por Saul Josias, com notícias que foram destaque no dia anterior e os assuntos que estão mais quentes no início da manhã.

No esporte, a Rádio Espírito continua o seu protagonismo, com a apresentação do Esporte em Primeiro Plano, conduzido pela Equipe Avassaladora, com jornalistas e comentaristas de peso, para falar sobre o esporte capixaba, com destaque para a maior e melhor cobertura do futebol capixaba. Desde 2019 tem sido a única rádio a acompanhar todos os jogos do Capixabão, com transmissão ao vivo e também foi a única a estar junto dos times capixabas durante os jogos da série D do Brasileirão. Em 2020, a fórmula se repete, com a transmissão dos jogos do Capixabão séries A e B e também a paricipação de times do Espírito Santo no Brasileirão.

A trajetória da Rádio Espírito Santo, nestes 80 anos, fala muito do que já fomos, mas também indica muito do que somos. A memória, mais que jogar luz no passado, ilumina o presente, com boas pistas do que virá. Mergulhar na memória é saber de si, ontem, hoje, amanhã.